![]() |
A escola de samba Acadêmicos de Niterói foi rebaixada para a Série Ouro em 2027 após a apuração das notas do Carnaval do Rio de Janeiro. A agremiação terminou na última colocação do Grupo Especial com 264,6 pontos, 2,8 pontos abaixo da penúltima colocada.
O desfile, realizado no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. Na avenida, a escola apresentou a trajetória política do petista e incluiu críticas indiretas a adversários políticos, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro e grupos conservadores.
O resultado mantém uma sequência recente de rebaixamentos de escolas recém-promovidas ao Grupo Especial. Nos últimos três anos, as agremiações que subiram do Grupo de Acesso acabaram retornando à divisão inferior na temporada seguinte.
O desfile também ampliou a disputa política e jurídica sobre os limites entre liberdade artística e promoção eleitoral em ano de eleição presidencial. Adversários do presidente afirmam que a apresentação teve caráter de campanha antecipada.
Após o desfile, o Partido Novo e o senador Flávio Bolsonaro anunciaram que pretendem acionar a Justiça Eleitoral para pedir a inelegibilidade de Lula. A alegação é de que recursos públicos teriam sido utilizados para promover campanha eleitoral durante o Carnaval.
Segundo os questionamentos, a ligação entre dirigentes da escola e o Partido dos Trabalhadores levantaria dúvidas sobre a neutralidade artística da homenagem. O presidente de honra da escola, Anderson Pipico, é vereador em Niterói pelo PT, ponto citado nas representações como elemento de possível vínculo político.
A escola recebeu R$ 1 milhão provenientes de repasses da Embratur à Liga Independente das Escolas de Samba, destinados à promoção internacional da cultura brasileira. Além disso, a agremiação deve receber R$ 4,4 milhões da Prefeitura de Niterói. Os repasses seguem a lógica de financiamento público tradicional do carnaval carioca.
Antes do desfile, o Tribunal Superior Eleitoral já havia rejeitado pedidos para impedir a apresentação, sob o entendimento de que a proibição prévia configuraria censura. A Corte ressaltou, porém, que eventuais irregularidades podem ser analisadas posteriormente, conforme o andamento do processo.
O caso mantém o debate sobre o uso de manifestações culturais em contextos eleitorais e deve seguir sob análise da Justiça Eleitoral.
Fonte: EXAME.

0 Comentários