Um relatório de auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) identificou indícios de que os Correios deixaram de registrar um prejuízo de R$ 1 bilhão em seu balanço financeiro de 2023. A divergência contábil está relacionada a provisões para indenizações trabalhistas.
Segundo o entendimento da área técnica do TCU, se essa quantia tivesse sido contabilizada, o prejuízo total da estatal em 2023 não seria de R$ 694 milhões (o valor declarado), mas sim de R$ 1,7 bilhão.
O valor de R$ 1 bilhão refere-se a provisões para indenizações trabalhistas que, conforme o relatório técnico, deveriam ter sido lançadas como resultado negativo. A estatal, por sua vez, defende-se, alegando que:
Justificativa: A provisão foi retirada do balanço sob a justificativa de uma decisão judicial favorável em uma ação movida por empregados em 2023, o que permitiria a reversão do valor sem impactar o resultado anual.
Situação Processual: Os Correios informaram ao tribunal que o processo trabalhista ainda não transitou em julgado e que a situação é favorável à empresa, com o TST tendo suspendido o andamento das ações sobre o pagamento de bônus a empregados externos.
A auditoria, no entanto, sustenta que a reversão foi efetuada em desacordo com normas contábeis e diretrizes internas da empresa, comprometendo a precisão e credibilidade dos números apresentados.
A área técnica do TCU rejeita o pedido da estatal de que o caso resulte em apenas uma "recomendação" para ajustes futuros no balanço. Em vez disso, o parecer técnico defende a correção imediata das demonstrações financeiras de 2023, indicando que as normas contábeis foram descumpridas.
A decisão final sobre o assunto ainda não foi avaliada e aprovada pelos ministros do TCU, que podem divergir do entendimento da área técnica.
Contexto da Revisão: A atual gestão dos Correios havia revisado o resultado de 2022 que, na administração anterior, era um lucro de R$ 200 milhões para um prejuízo de R$ 808 milhões.
Fonte: Reportagem de Lucas Cheiddi, publicada em 17/11/2025.


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