A Polícia Federal (PF) instaurou um inquérito para apurar a entrada irregular de bagagens no Brasil durante o desembarque de um voo particular no Aeroporto Executivo Internacional São Paulo Catarina, em São Roque (SP). O episódio ocorreu no dia 20 de abril de 2025, mas os detalhes da investigação vieram a público agora, em abril de 2026, após o caso ser remetido ao Supremo Tribunal Federal (STF).
O avião, de prefixo PP-OIG, retornava da ilha de São Martinho, no Caribe — região classificada pela Receita Federal como paraíso fiscal. Entre os passageiros estavam o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), o senador Ciro Nogueira (PP-PI), os deputados federais Doutor Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL), além do proprietário da aeronave, o empresário Fernando Oliveira Lima, conhecido como "Fernandin OIG".
O "pulo" no Raio-X
Segundo o relatório da PF, imagens do circuito interno de segurança mostram uma movimentação atípica do piloto da aeronave, José Jorge de Oliveira Júnior. Segundo a investigação, às 21h31, o piloto passou pela fiscalização com duas bagagens submetidas ao raio-X. Contudo, nove minutos depois, ele retornou ao posto com cinco volumes a mais, que incluíam caixas, sacolas e uma mala, passando por fora da máquina de inspeção.
Segundo a Polícia Federal, o auditor fiscal Marco Antônio Canella teria permitido a passagem livre das bagagens. O relatório aponta que o auditor chegou a gesticular de forma a minimizar a importância do ato quando questionado por uma operadora do raio-X. Um bilhete manuscrito no livro de ocorrências dos agentes de proteção (APACs) reforça a denúncia: o texto afirma que o auditor "liberou todas as malas e bolsas de mão com todos os eletrônicos e garrafas" e autorizou o piloto a passar sem fiscalização.
| Imagens do desembarque do piloto José Jorge de Oliveira Junior no aeroporto São Paulo Catarina Aeroporto Executivo Internacional, situado em São Roque/SP — Foto: Reprodução |
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| Imagens do desembarque do piloto José Jorge de Oliveira Junior no aeroporto São Paulo Catarina Aeroporto Executivo Internacional, situado em São Roque/SP — Foto: Reprodução |
O dono da aeronave, Fernando OIG, é uma figura central na recente CPI das Bets no Senado. O empresário é investigado por sua ligação com plataformas de apostas online, incluindo o polêmico "Jogo do Tigrinho". No ano passado, ele prestou depoimento à comissão negando ser o proprietário da plataforma, afirmando atuar apenas como agregador de jogos.
Foro Privilegiado e o STF
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| Na CPI das Bets, Fernando Oliveira Lima, o Fernandin OIG, disse controlar uma holding de empresas de jogos on-line. — Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado |
A PF ressalta que, embora os políticos estivessem no voo, ainda não é possível afirmar de quem eram os cinco volumes que burlaram a fiscalização. Os crimes apurados são de prevaricação e facilitação de contrabando ou descaminho.
O que dizem os envolvidos
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| Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta concede entrevista — Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados |
Hugo Motta: Em nota, o presidente da Câmara afirmou que cumpriu todos os protocolos da legislação aduaneira e que aguardará a manifestação da PGR.
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| Ciro Nogueira, senador do Progressistas pelo Piauí — Foto: Ascom Ciro Nogueira |
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| O deputado Isnaldo Bulhões (MDB-AL). — Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados |
Ciro Nogueira e Isnaldo Bulhões: Não se manifestaram até o fechamento desta reportagem.
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| Deputado Doutor Luizinho. — Foto: Marina Ramos / Câmara dos Deputados |
Doutor Luizinho: Informou que não irá comentar o caso.
Piloto José Jorge: Declarou que não se recorda do dia específico, mas que cada passageiro responde por seus pertences e que ele transporta apenas seus próprios itens.
Auditor Marco Antônio Canella: Não foi localizado para resposta.
Fonte: g1 Brasília / Folha de S.Paulo.








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