INSS suspende programa que reduzia fila de benefícios por falta de verba e deixa milhões de brasileiros à espera

© José Cruz/Agência Brasil


O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) suspendeu o programa que vinha ajudando a reduzir a fila de análise de aposentadorias, auxílios e outros benefícios previdenciários. A decisão, assinada pelo presidente do órgão, Gilberto Waller Junior, foi motivada pela falta de recursos no Orçamento da União.

O programa, chamado Programa de Gerenciamento de Benefícios (PGB), pagava bônus de produtividade a servidores e peritos para acelerar as análises dos pedidos. Com o fim do recurso, o INSS informou que as novas análises estão suspensas, tarefas em andamento voltam para a fila comum e os agendamentos do Serviço Social fora do expediente serão remarcados.

Segundo o documento, a interrupção é imediata e tem o objetivo de evitar “impactos administrativos” por falta de verba garantida. O órgão solicitou um remanejamento de R$ 89,1 milhões do Ministério da Previdência para tentar retomar o programa “o mais breve possível”.

Fila de espera pode aumentar ainda mais

O impacto é direto: com a suspensão, o governo corre o risco de ver a fila de benefícios que já ultrapassa 2,6 milhões de pedidos crescer ainda mais. Desde 2023, o número de solicitações pendentes só aumenta, agravado pela longa greve de médicos peritos e pela lentidão na recomposição de pessoal.

O PGB havia sido criado em abril e transformado em lei em setembro, com orçamento inicial de R$ 200 milhões até o fim de 2026. O programa pagava R$ 68 por processo concluído a servidores e R$ 75 por perícia médica realizada além da meta diária. Mas a verba, segundo o INSS, foi totalmente consumida antes do fim do ano.

Sem o pagamento dos bônus, o ritmo de trabalho tende a cair, o que significa mais espera para aposentados, pensionistas e beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC)  muitos deles dependentes do pagamento como única fonte de renda.

Cenário fiscal e promessas frustradas

A suspensão do programa expõe mais uma vez as dificuldades fiscais do governo federal. O Ministério da Previdência havia prometido zerar a fila de benefícios até o fim do mandato, mas o cenário atual aponta na direção oposta.

Com o bloqueio de recursos e a perda de validade de medidas provisórias que aumentariam a arrecadação, o governo tenta equilibrar as contas e atingir um superávit de R$ 34,3 bilhões em 2026.

Enquanto isso, o cidadão que espera por uma aposentadoria, pensão ou auxílio deve continuar enfrentando a lentidão do sistema.


Fonte: Agência Brasil / Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) / Ofício interno nº 431/2025.


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