Segundo as informações divulgadas, o Ministério da Defesa foi a pasta mais afetada na Esplanada, sofrendo a retenção de R$ 4,4 bilhões. O Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) também foi severamente atingido, com R$ 8,75 bilhões bloqueados.
Nossa Análise
O avanço incontrolável das despesas obrigatórias: Segundo os dados do Ministério da Fazenda, o principal motor desse aperto financeiro é o crescimento disparado de benefícios assistenciais e previdenciários. Gastos com aposentadorias do INSS e com o BPC (destinado a idosos e deficientes de baixa renda) subiram muito além do projetado, obrigando o Executivo a paralisar outras áreas para não descumprir as regras fiscais.
A tesourada nos investimentos e infraestrutura: Ao bloquear quase R$ 8,75 bilhões do Novo PAC e bilhões em emendas de bancada parlamentar, o governo sacrifica a capacidade de investimento do país. Cidades (com corte de R$ 3,8 bilhões) e Educação (com R$ 2,6 bilhões retidos) também terão que segurar projetos importantes. As pastas possuem um prazo curto, até o dia 8 de junho, para detalhar quais obras e ações serão suspensas.
A disparidade entre previdência e desenvolvimento: O descompasso fiscal fica nítido quando se analisa o destino do dinheiro público. Segundo o levantamento, o custeio de benefícios previdenciários e assistenciais deve consumir impressionantes R$ 1,1 trilhão neste ano. Esse valor é simplesmente 14 vezes superior a todo o orçamento reservado pela União para investimentos em rodovias, escolas e hospitais (R$ 80,7 bilhões).
As perspectivas do mercado financeiro: Analistas econômicos apontam que a situação pode piorar até o mês de julho, com a contenção total podendo atingir a marca de R$ 83,5 bilhões caso o ritmo de despesas não caia. O mercado considera praticamente nula a chance de esses recursos serem liberados antes do término do ano, apontando ainda que o país deve fechar o período com um déficit real de R$ 64,4 bilhões, maquiado pela exclusão de precatórios.
Contexto Local / Impacto na Paraíba
Para nós, paraibanos, o impacto desse contingenciamento tende a ser sentido diretamente na ponta. Com o travamento de recursos do Novo PAC e das emendas de bancada parlamentar, obras de infraestrutura que dependem diretamente de verbas federais no Nordeste correm o risco de desacelerar ou parar. O corte nos ministérios das Cidades e da Educação acende o alerta para os prefeitos do nosso estado, que dependem desses repasses para convênios de saneamento, habitação e manutenção de estruturas de ensino básico.
Conclusão do Blog da Raquel Lima
A realidade dos números se impôs e o governo foi obrigado a puxar o freio de mão. Não há mágica na economia: se os gastos sociais obrigatórios sobem sem controle, faltará dinheiro para a infraestrutura que gera emprego e renda. Cabe aos órgãos reguladores e à sociedade cobrar responsabilidade fiscal e transparência da gestão pública, pois no fim das contas, todos nós sabemos que o certo é certo, e o errado é errado. O país precisa de equilíbrio para voltar a crescer com segurança.
Fonte: Revista Oeste (Reportagem de Erich Mafra).

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