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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou nesta segunda-feira (2) ao assessor especial para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, para discutir os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, a morte do aiatolá Ali Khamenei e os possíveis desdobramentos diplomáticos para o Brasil.
Durante a conversa, Lula e Amorim revisitaram a chamada Declaração de Teerã, firmada em maio de 2010 por Brasil, Irã e Turquia. O acordo buscava destravar o impasse em torno do programa nuclear iraniano, prevendo a transferência de parte do urânio enriquecido iraniano para a Turquia em troca de combustível para uso médico.
A iniciativa acabou rejeitada pelos Estados Unidos à época, durante o governo de Barack Obama, e não foi implementada. Posteriormente, Washington avançou com sanções no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).
Avaliação sobre nova interlocução
Com a morte de Khamenei e a escalada militar na região, o Palácio do Planalto avalia se há espaço para retomar uma interlocução mais ativa no Oriente Médio. Até sexta-feira (28), Lula não havia mantido contato direto com autoridades iranianas desde o início da crise, e não havia registro de tratativas formais entre as chancelarias.
A embaixada do Brasil em Teerã segue operando normalmente.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversou por telefone com o chanceler dos Emirados Árabes Unidos, Abdullah bin Zayed Al Nahyan, a pedido do governo emiradense.
Notas oficiais e reação iraniana
O governo brasileiro divulgou duas notas oficiais sobre o conflito. Na primeira, condenou os ataques dos Estados Unidos e de Israel e defendeu a desescalada. Na segunda, manifestou solidariedade a países atingidos por retaliações iranianas, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Kuwait, reiterando o compromisso com o Direito Internacional.
Em entrevista no domingo (1º), Amorim afirmou que “o grau de risco de uma guerra global subiu um ponto” e avaliou que o Irã “não vai desaparecer, nem vai se render”.
Também nesta segunda-feira (2), o embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, agradeceu publicamente ao governo brasileiro pela primeira nota divulgada, classificando a posição como “valorosa”.
Viagem aos EUA
Lula prepara viagem aos Estados Unidos na segunda quinzena de março, a convite do presidente Donald Trump. O encontro foi articulado antes da recente decisão da Suprema Corte norte-americana que derrubou a base legal de tarifas impostas pelo governo dos EUA.
Entre os temas previstos na agenda está o Conselho da Paz proposto por Trump e aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU em setembro de 2024. O governo brasileiro tem reservas quanto ao formato da iniciativa e defende que qualquer mecanismo de pacificação tenha caráter multilateral. Na primeira reunião do conselho, realizada nos Estados Unidos, o Brasil enviou representante de baixo escalão.
Com Informações do Poder 360

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