Governo Lula fecha fevereiro com déficit de R$ 30 bilhões e rombo chega a R$ 60,4 bilhões em 12 meses

Presidente Lula/foto reprodução

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou fevereiro de 2026 com um déficit de R$ 30 bilhões nas contas públicas. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (30/03/2026) pelo Tesouro Nacional.

Apesar do resultado negativo, o rombo foi ligeiramente menor que o registrado no mesmo período de 2025, quando o déficit foi de R$ 31,6 bilhões.

No acumulado dos últimos 12 meses, o saldo negativo já chega a R$ 60,4 bilhões, evidenciando a dificuldade do governo em equilibrar as contas públicas.

Previdência lidera déficit

O principal impacto nas contas veio do Regime Geral de Previdência Social, que registrou um déficit de R$ 22,4 bilhões apenas em fevereiro.

Já o Tesouro Nacional e o Banco Central do Brasil contribuíram com outros R$ 7,6 bilhões negativos.

Aumento das despesas

As despesas totais do governo cresceram 3,1% em termos reais. O avanço foi puxado principalmente pelas chamadas despesas discricionárias, que aumentaram R$ 5,4 bilhões.

Entre os principais gastos:

  • Educação: aumento de R$ 3,4 bilhões, impulsionado pelo programa Pé de Meia;
  • Saúde: crescimento de R$ 1,4 bilhão;
  • Pessoal e encargos: alta de R$ 2,2 bilhões devido a reajustes salariais concedidos em 2025;
  • Previdência: aumento de R$ 1,7 bilhão, influenciado pelo reajuste do salário mínimo e ampliação do número de beneficiários.

Receita cresce, mas não compensa

A arrecadação líquida somou R$ 153,1 bilhões em fevereiro, com crescimento real de 5,6% na comparação anual.

O resultado foi impulsionado por medidas como o aumento do IOF por meio do Decreto nº 12.499/2025, que gerou R$ 2,3 bilhões extras. A Cofins também contribuiu com mais R$ 2,3 bilhões, refletindo o consumo.

Apesar disso, houve queda em receitas importantes:

  • redução de R$ 1 bilhão em dividendos e participações;
  • recuo nos repasses do Banco do Nordeste;
  • diminuição na distribuição de lucros da Petrobras;
  • queda no Imposto de Renda (R$ 701 milhões) e na CSLL (R$ 671 milhões).

Resultado no ano

No acumulado de janeiro e fevereiro, o Governo Central registra superávit de R$ 56,9 bilhões.

No entanto, o resultado positivo vem exclusivamente de janeiro. Enquanto Tesouro e Banco Central acumulam saldo positivo de R$ 99,9 bilhões, a Previdência já apresenta déficit de R$ 43,1 bilhões no bimestre.

Pressão nas contas públicas

As despesas totais no ano cresceram 3,0%, acima da alta de 2,8% da receita líquida.

Para sustentar a arrecadação, o governo tem recorrido a mecanismos como depósitos judiciais e transações tributárias, compensando a queda nas receitas com exploração de recursos naturais, afetadas pela valorização do real e pela baixa do preço do petróleo no mercado internacional.

Fonte: Revista Oeste.

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