PF Mira Nora de Lula em Megaoperação Contra Corrupção e Superfaturamento na Educação

A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quarta-feira (12), a Operação Coffee Break, que investiga um esquema de corrupção, fraude em licitações e superfaturamento, com foco em contratos na área da educação, especialmente no Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

Um dos alvos de mandados de busca e apreensão é Carla Ariane Trindade, nora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ela é casada com Marcos Cláudio Lula da Silva, filho adotivo de Lula.

Segundo as investigações, Carla Ariane é suspeita de atuar como lobista e intermediária do núcleo político do esquema. Seu papel seria o de favorecer os interesses da empresa Life Tecnologia Educacional em órgãos federais e municipais. Carla Ariane foi afastada de seu cargo em uma prefeitura do interior paulista e teve endereços vasculhados pela PF, que a aponta por atuar "para assegurar vantagens indevidas em contratações".

A Operação Coffee Break, autorizada pela 1ª Vara Federal de Campinas e com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU), cumpriu um total de 50 mandados de busca e apreensão e seis de prisão preventiva nos estados de São Paulo, Distrito Federal e Paraná.

Os crimes sob apuração incluem:

  • Corrupção ativa e passiva;

  • Peculato;

  • Fraude em licitação;

  • Lavagem de dinheiro;

  • Contratação direta ilegal;

  • Organização criminosa.

As suspeitas se concentram em desvios de recursos do FUNDEB e no sobrepreço em contratos de kits de robótica. As investigações apontam que o superfaturamento pode ter chegado a 3.500%.

A empresa investigada, Life Tecnologia Educacional, que é de pequeno porte, movimentou R$ 128 milhões entre 2021 e 2024. A PF estima que pelo menos R$ 50 milhões desse montante são lucro obtido por meio de sobrepreço. O relatório policial detalha que peças compradas por valores entre R$ 1 e R$ 5 eram revendidas por R$ 60 a R$ 80.

Os recursos desviados teriam sido convertidos em criptomoedas, sacados em espécie para pagamento de propina ou usados na compra de imóveis e veículos de luxo.

O esquema estava estruturado em três núcleos: empresarial, financeiro (com doleiros e empresas de fachada para lavagem de dinheiro) e o político-administrativo, onde se inserem agentes públicos e articuladores, incluindo Carla Ariane Trindade. Entre outros suspeitos mencionados está Kalil Bittar, sócio de Fábio Luís Lula da Silva, o filho mais velho do presidente.

Fonte:

  • Reportagem de Lucas Cheiddi para Revista Oeste (13/11/2025).

  • Polícia Federal (PF).

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